Olegário de Sá deixou de lado a tradição da família de advogados para cursar arquitetura. Gilberto Cioni, formado em administração de empresas, largou o trabalho como executivo de uma multinacional para se dedicar à decoração. Com trajetórias inspiradoras, a dupla apresenta um trabalho singular e estética elevada, percorrendo diversos universos. Neste ano, eles assinam a Casa da Mata especialmente para a CASACOR São Paulo 2017. Em entrevista exclusiva para Dell Anno, os dois contaram um pouco sobre os detalhes do ambiente, inspirações e desejos profissionais.

Com sede em São Paulo e filial em Miami, o escritório dos profissionais atua no mercado residencial, comercial e corporativo há mais de 20 anos. Em seu portfólio projetos comerciais, como as lojas Diesel, Miss Sixty e Vide Bula, prédios como o centro comercial de luxo Pateo Haddock Lobo, e apartamentos de importantes famílias paulistanas, assim como residências em Angola, Rio de Janeiro, capitais do Nordeste e Miami. Hoje desenvolvem simultaneamente projetos para casas na Fazenda Boa Vista, Fazenda da Grama, Marina do Guarujá e Iporanga. São responsáveis pelo projeto do restaurante Insalata, em São Paulo, e das Salas Vips internacionais das empresas Gol, Delta, KLM e Air France em Guarulhos, SP, e no Rio de Janeiro.

A simbiose entre o rústico e o moderno norteou o trabalho de Gil e Olegário em Casa da Mata. Para eles um desafio completo. “Criar uma casa observando os principais desejos dos nossos clientes do dia a dia, atmosfera aconchegante, rusticidade com elegância é sempre desafiador. Empregamos materiais brutos e rústicos, como pedras e madeiras de demolição, recheados com marcenaria bacana, com brilhos das laccas e vidros, além de mobiliário italiano resultando numa combinação muito interessante”, afirmam. A decoração foi temperada com uma criteriosa seleção de móveis de design assinado, obras de arte e muito verde, como jardins internos, horta e terrários em vários cantos.

Para o espaço, a inspiração foi baseada no desejo de conectar as pessoas à natureza. E o segredo para tantas ideias e referências? “Viagens, viagens e mais viagens. Hotéis bacanas são sempre referências importantes”, revelam. Além disso, música, cinema, moda e outras experiências se manifestam no trabalho da dupla. “Respiramos arte no dia a dia. Tudo inspira quando o cérebro está aberto para receber. Também temos muitos clientes da área da moda, Diesel, Vide Bula, Fred Perry, Miss Sixty, que nos inspiraram sempre na busca pelo novo”.

Sempre bastante requisitados por famosos e empresários, eles identificam dois fatores como determinantes para o sucesso do trabalho. “Carinho pelo cliente e amor pelo projeto, sempre”, afirmam. Aliar um projeto bacana aos custos factíveis, no entanto, ainda é um dos desafios da arquitetura que eles encontram hoje. No entanto, Gil e Olegário buscam deixar sua marca, uma identidade marcante. “Buscamos sempre o Brasil como referência base. Uma decoração que não bebe do Brasil não tem personalidade. Temos que nos valorizar, somos um berço de criatividade”, destacam.

A Casa da Mata  

Quem entra na Casa da Mata é convidado a caminhar por um deque de garrafas pet recicladas que descortina o primeiro cenário. Contornando uma árvore original do Jockey, o banco de madeira de demolição fica ao lado das cadeiras de corda, que juntos induzem ao relaxamento. Tudo ecológico, até o muro gabião de arenito com tela metálica. “O empilhamento das pedras do muro não leva argamassa e é retornável”, explica Olegário.

Logo na entrada, uma imponente porta pivotante de madeira descortina o espaço de 200 metros quadrados que integra living, sala de jantar com lareira, cozinha gourmet com jardim e suíte de forma aconchegante e conduzida por diferentes materiais em harmonia. Nenhum revestimento ou peça aparecem por acaso, a começar pelos blocos de arenito e pela madeira escolhidos para as paredes.

No living uma das principais peças é a grande bancada de 11 metros em balanço revestida no tom escuro da lacca fosca Notte, da Dell Anno. Com nichos no madeirado Monet, a bancada faz combinação com o quadro Pneu, de Lúcio Carvalho, e o tapete de formas elípticas da Punto e Filo. Na entrada, a grande fotografia em preto e branco de uma árvore recortada, da artista Gigi Monteiro, o bar de madeira (Saccaro) e o arenito que cobre a parede dão as boas-vindas. Na outra ponta, a parede que se estende até o jantar parece uma obra de arte, graças às placas de freijó lavado que foram assentadas em desenhos desencontrados. Um mix de design poderoso reforça a estética do espaço, com mesas de centro de vidro e madeira e peças italianas, como o sofá da Cestone, o escultural banco da Ceccotti e a irreverente poltrona Wiggle, feita de papelão e assinada pelo americano Frank Gehry.

A lacca Notte Dell Anno também foi escolhida por Gil e Olegário como protagonista para a cozinha, onde foi combinada com o tom fendi da lacca One nas prateleiras e com a lacca Rosa nos nichos. Entre os acessórios, as gavetas Orgaline Dell Anno foram eleitas para organizar de forma elegante e prática os utensílios, permitindo refeições rápidas interagindo muito bem com a sala de jantar e a bancada gourmet preta. Seguindo o conceito “rústico chique”, um jardim ocupa espaço especial e fica mais iluminado com o neon azul e vermelho de Fernando Simões.

Na sala de jantar, a mesa Serra Pelada, de madeira, vidro e inox, contrasta com a delicadeza das cadeiras revestidas de tecido rosa-antigo. Sobre esse mobiliário de peso está a luminária dourada e, ao lado, o trio de lareiras simétricas revestidas de Caesarstone e esculpidas na parede de arenito.

No quarto, as sensações de aconchego e bem-estar continuam com a mistura da madeira presente em piso e teto, o tecido fendi no painel que reveste algumas paredes e faz as vezes de cabeceira e o arenito que vira cenário da banheira de pedra-sabão. Pesando 2 toneladas, ela tem lugar especial ao lado de um jardim e sob o rasgo no teto, que proporciona a entrada da luz natural. “É um cantinho para tomar sol e relaxar”, resume Gil. Junto da cama, o armário Dell Anno traz a combinação dos tons claros das laccas Onne e Rosa, usada nos tamponamentos e prateleiras. Os cabideiros iluminados guardam uma das surpresas do local: um vestido em renda branca assinado pela estilista Martha Medeiros.

O banheiro segue a mesma linguagem moderna e atemporal dos demais ambientes. A bancada de arenito é acompanhada pela suavidade do armário com a lacca Rosa Dell Anno e da cuba de louça branca (Deca). Quem olha para o teto logo se encanta pela estampa floral do papel de parede aplicado no forro, que parece se fundir com o paisagismo de Ricardo Pessuto dentro da área do chuveiro. É evidente, portanto, que de qualquer canto da Casa da Mata a proposta acontece: contato com a natureza, aconchego e beleza.

Fotos: Roberto Majola/Thiago Travesso/Divulgação